Manifesto da Daviê
A DAVIÊ nasceu de uma vontade profundamente humana: guardar.
Guardar não para impedir que o tempo passe.
Mas porque ele passa.
Pessoas chegam.
Pessoas ficam.
Pessoas se vão.
Pessoas crescem.
Nós também mudamos.
Mudamos de casa, de roupa, de sonhos, de hábitos.
Mudam nossas vozes, nossos corpos, as coisas que fazemos todos os dias e até a maneira como seguramos o mundo com as mãos.
Uma mão que hoje balança um brinquedo.
Depois pede ajuda para andar.
Um dia aprende a escrever.
Mais tarde cozinha uma receita para alguém.
Segura outras mãos.
Cuida. Cria. Afaga.
E, muitos anos depois, talvez seja essa mesma mão que peça ajuda novamente para escrever, caminhar ou comer.
É essa passagem que queremos guardar.
Não apenas os grandes acontecimentos.
Também os gestos.
As letras.
As vozes.
As fotografias imperfeitas.
As receitas repetidas.
Os apelidos.
Os desenhos.
As histórias contadas tantas vezes que todos já sabem o final.
Os pequenos vestígios da vida vivida.
Algumas coisas revelam seu valor no instante em que acontecem.
Outras, só muitos anos depois.
Porque a memória não pertence a um único tempo.
Podemos guardar hoje aquilo que está acontecendo agora.
Podemos, aos sessenta anos, reunir as fotografias da infância.
Podemos reencontrar uma escrita, uma pessoa, uma casa, uma versão de nós mesmos que parecia distante.
Guardar é criar caminhos entre tempos.
É poder ir e vir.
Lembrar quem fomos sem deixar de abrir espaço para quem ainda vamos nos tornar.
Vivemos em um mundo rápido.
E, ao mesmo tempo, em um mundo onde tantas coisas começam a se parecer.
Mas as pessoas não se repetem.
Nenhuma vida carrega os mesmos gestos.
Nenhuma família repete exatamente as mesmas histórias.
Nenhum amor tem a mesma linguagem.
Nenhuma memória ocupa o mesmo lugar dentro de duas pessoas.
É nessa singularidade que a DAVIÊ acredita.
Por isso, primeiro vem aquilo que sentimos que merece permanecer.
Depois encontramos uma forma de fazer durar.
Hoje essa forma pode ser um álbum.
Um caderno.
Uma fotografia que volta às mãos.
Uma página que começa a ser preenchida.
Amanhã ela pode encontrar outras matérias, outras linguagens e outras maneiras de existir.
O objeto pode mudar.
O nosso olhar permanece.
Porque os objetos da DAVIÊ são meios de sentir.
Eles criam um lugar físico para aquilo que faz parte da nossa história, para que possamos reencontrar, tocar, contar e sentir novamente.
A DAVIÊ existe para desacelerar o tempo o suficiente para perceber o que importa.
Para devolver singularidade àquilo que nunca deveria ter sido tratado como igual.
Para criar caminhos entre aquilo que fomos, aquilo que somos e aquilo que ainda vamos ser.
Para que, quando uma fase, um gesto, uma presença ou um tempo virar saudade, exista também a felicidade de termos reconhecido seu valor e guardado um vestígio dele conosco.
Algumas pessoas permanecem.
Algumas histórias continuam sendo contadas.
E alguns objetos atravessam o tempo carregando dentro deles pedaços inteiros de uma vida.
É isso que queremos criar.
Pequenas máquinas do tempo.
DAVIÊ
Dar à vida aquilo que merece durar.